Pessoas que adicionam desconhecidos nas redes sociais


Na altura em que criei Facebook, algures em 2010, era muito raro encontrarmos os nossos amigos do mundo real dentro da rede social. Isto dificultava-me a vida: na altura precisava de materiais no Farmville, o verdadeiro motivo para ter aderido ao Facebook, e, para isso, precisava de amigos que mos enviassem, o que me levava a adicionar todos os perfis que via à minha frente.
Onze anos depois, o Farmville já não existe, mas a prática mantém-se. Estamos em 2021 e ainda existem estúpidos que enviam pedidos de amizade como quem manda beijinhos em programas de domingo à tarde.

Adicionar-se um desconhecido nas redes não é a coisa mais estranha do mundo, principalmente quando a pessoa nos interessa por algum motivo. As redes sociais atuais utilizam, inclusive, a dinâmica dos seguidores, onde podemos seguir alguém sem termos de criar uma conexão mútua. O próprio Facebook já tem atualmente essa função nos perfis, qualquer utilizador pode ter amigos e pode também ter seguidores.

Ainda assim, a praga das enxurradas de pedidos de amizade não terminou. Usualmente recebemos convites de pessoas de quem nunca ouvimos falar na vida. Por vezes é um amigo de alguém que conhecemos e que está curioso com aquilo que publicamos, mas, e perdoem-me a ousadia de arriscar, raras serão essas situações.
Normalmente, os pedidos de amizade vêm de malta com nomes estrangeiros, pessoas que possuem poucos ou nenhuns amigos em comum e que têm meia dúzia de fotos onde, das duas, uma, ou são pessoas extremamente sensuais ou pessoas extremamente estranhas.

Esta praga, começada nas primeiras redes sociais que existiram, chega hoje a algumas funcionalidades das mais recentes. Por exemplo, no Instagram, onde os utilizadores podem definir uma lista de amigos chegados, já começamos a ver esta tendência a acontecer. Quem nunca se encontrou numa destas listas de uma pessoa que nem sequer conhece?
Se o objetivo inicial era criar uma rede de contactos ou conquistar público e criar engajamento, hoje, privar com desconhecidos online, parece só uma tendência esquisita de quem perdeu a inteligência nos scrolls infinitos que faz.

Numa altura em que a perversidade prevalece nas redes sociais, é preferível ter cuidado no momento de se criar uma ligação. De fakes a malucos e de vírus a malucos que não acreditam em vírus, tudo é possível de se encontrar por trás de um pedido de amizade.
No momento de aceitar ou recusar o raciocínio é fácil. Por poucos likes que isso dê, por vezes mais vale estar só do que mal acompanhado.

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