Pessoas que defendem as caixas de supermercado


Quando começaram a surgir as primeiras caixas automáticas nos supermercados portugueses, rapidamente os cidadãos agiram de forma a mostrar a sua preocupação e desgosto perante a automatização e modernização que levaria ao desaparecimento da tradicional profissão de operador de caixa. Desde então, a minha preocupação cresceu, não pelos operadores, mas na espera de um milagre da tecnologia que faça desaparecer toda esta gente que gosta de opinar sem pensar mais de cinco minutos.

A verdade é que o mundo evolui, e com ele a nossa rotina e as nossas necessidades enquanto sociedade alteram-se. Ao longo da história diversas profissões foram desaparecendo e novas foram surgindo, havendo sempre uma maior ou menor resistência ao processo. Numa sociedade que se diz moderna, o debate sobre as caixas de supermercado tornou-se um tabu e uma bandeira dos ignorantes.

Nas grandes superfícies, o processo de pagamento é, geralmente, penoso: existem filas gigantescas, se tivermos muitos produtos no carrinho é necessário tirá-los para voltar a colocá-los no mesmo lugar, a dedução mental sobre qual a caixa mais rápida nunca resulta e há sempre alguma pessoa velha que consegue a proeza de fazer tudo mal no processo de pagamento. É, inclusive, recorrente que o processo de pagar seja mais demorado que o de ir buscar os produtos.

Felizmente, já existem soluções mais aceites e normalizadas, como o delivery, ou novidades mais tecnológicas, como as lojas onde o cliente simplesmente pega no que quer e sai, sendo o pagamento feito de forma magicamente automática e inteligente. E isto não é inimigo do trabalho: as novas soluções trazem novas necessidades e novos empregos à sociedade, quiçá mais interessantes que passar oito horas numa cadeira a perguntar inutilmente se o cliente deseja fatura com número de contribuinte.

Quem ataca a tecnologia em prol de soluções tradicionais devia parar de fazer posts nas redes sociais e passar a afixar a sua opinião em cartazes de rua. Usam o email sem pensar nos carteiros, preferem apps bancárias a dispensar horas do seu dia num banco e não querem morrer, poupando trabalho aos coveiros. Talvez seja tempo de refletir sobre isto, não durante cinco minutos, mas aproveitando as cinquenta horas que perdem nas filas do supermercado.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Pessoas que adicionam desconhecidos nas redes sociais

Pessoas que encostam cartões contactless