Pessoas que deixam tudo para a última


O final de um ano é sinónimo de festividades e de momentos de descontração em família e com os amigos. Porém, esta calma não está sempre presente neste período. As últimas semanas do mês de dezembro juntam o Natal à interrupção do semestre universitário unindo várias pessoas em torno de algo que partilham: a terrível mania de deixar tudo para a última da hora.

Contra mim falo neste texto: a parte de mim que é adepta de procrastinar e de deixar as responsabilidades para maratonas em cima do joelho devia, com toda a certeza, falecer, preferencialmente, de uma forma lenta e dolorosa. As promessas repetidas em todos os atrasos de que na próxima já não será assim já são tão credíveis como aqueles vídeos conspiracionistas do Youtube narrados com vozes do Google Tradutor.

Enquanto os shoppings estão cheios de adultos que acham que é no último dia que vão arranjar a prenda repetidamente adiada que querem oferecer aquele familiar de quem provavelmente nem gostam, alguns jovens ainda estão trancados nos seus quartos a terminar relatórios e projetos que foram pedidos em outubro, mas cuja inspiração só apareceu com a abertura das últimas janelas do calendário do advento e a umas oito horas do prazo de entrega.

A verdade é que, uma ou outra vez na vida, todos procrastinamos. O problema é que, uma ou outra pessoa, fazem disto vida. Por vezes é complicado termos inspiração ou disponibilidade para cumprir prazos, mas isto deve ser a exceção à regra. Fazer as coisas em cima da deadline acaba por ser uma espécie de atividade radical de quem gosta de viver no limite. Uma atividade de malta radicalmente estúpida que gosta de viver no limite da parvoíce.

Certamente que alguns casos já não terão solução, mas fica o desejo de um bom Natal e a esperança de que este ano recebam de presente alguma noção. Pode ser que, naquelas famílias de malta burra, que vai encher a casa de gente no Natal, o covid também seja convidado e, para além de quem deixa as coisas para o último minuto, morram mais algumas pessoas que deviam falecer.

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