Pessoas que precisam sempre de dinheiro para o comboio


Ser abordado por desconhecidos na rua é algo que é quase sempre estranho e certamente que quem vive em grandes centros urbanos já esteve nesta situação. Os motivos destas interações são variados: turistas que precisam de indicações, pessoas que não sabem que horas são, malta das causas e das ONGs, vendedores de estupefacientes, entre outros. Mas se há coisa que fervilha o meu sistema nervoso e me tolda de desagradabilidade é o pessoal que vem sempre pedir cinquenta cêntimos para o comboio.

O problema não reside em situações esporádicas, até porque grande parte da população tem uma perninha generosa que consegue compreender o lado do outro. O problema está nas situações recorrentes que vêm agregadas a testemunhos que garantem a ocasionalidade do acontecimento. A típica história do senhor que veio ao Porto, perdeu a carteira e agora precisa de cinquenta cêntimos para voltar para Braga, ou algo semelhante.

A tensão agrava-se quando se tornam insistentes ou quando protestam pela quantidade de dinheiro que lhes é dado, num tom passivo-agressivo e ameaçador. Uma pessoa que precisa de cinquenta cêntimos e que reclama ao receber vinte merecia levar uma martelada como levam os porquinhos mealheiros. Acontece, inclusive, de darmos a totalidade do valor pedido a alguém e vermos a pessoa afastar-se, não na direção da bilheteira, mas em qualquer outra direção.

Atenção, quem nunca precisou de uma moeda para alguma coisa que dê com a cabeça na primeira pedra que encontrar. Numa sociedade de números contados nem sempre as nossas contas estão certas e acontece de, por vezes, nos faltar algum dinheiro para alguma coisa que queremos. Por norma, recorremos a amigos, na promessa, tantas vezes incumprida, de que um dia devolveremos aquele dinheiro. Porém, não será inédito o dia em que tal nos acontece quando estamos sozinhos e, dependendo da urgência do que vamos comprar, poder ter de recorrer a alguém que não conhecemos.

Dito isto, não sejemos totais egoístas. É preciso ter-se empatia pelo próximo, mas também é necessário entender quando nos estão a fazer passar por parvos. O comboio quando parte é para todos, mas nem sempre partem todos no comboio (mesmo os que conseguem os cinquenta cêntimos que faltavam).

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Pessoas que adicionam desconhecidos nas redes sociais

Pessoas que encostam cartões contactless

Pessoas que defendem as caixas de supermercado