Pessoas que gostam de filmes de terror


Ainda no rescaldo do Halloween, vejo-me na obrigação de prestar homenagem àqueles que padecem da terrível
falta de bom gosto que é apreciar filmes de terror. Segundo alguns, gostos são algo que não se deve discutir, mas deixar alguém viver na ignorância não me parece o mais correto.
Se me perguntassem se preferia ver um filme de terror ou furar os olhos com os cornos do diabo, escolheria a segunda opção com a certeza de que era melhor não ver a ver produções deste género cinematográfico.

Antes que pensem que falo deste assunto sem possuir conhecimento de causa, é importante dizer que sim, já enfrentei a dolorosa tarefa que é ver um filme de terror. Já fui eu a escolher os filmes e já deixei que escolhessem por mim, mas o resultado é sempre o mesmo: um flop do tamanho do mundo.

O problema é que, para além de incidirem sobre temáticas com pouco sentido, as narrativas são fracas e deixam muito a desejar. Das bonecas que estão amaldiçoadas às casas assombradas, os pontos de partida são repetitivos e quando algum se destaca pela diferença e originalidade, ou não capta o interesse do público ou peca pelo visivelmente baixo orçamento que tem.
O decorrer da história também falha pela previsibilidade, sendo a única fuga possível dos guionistas deste género o uso de jumpscares constantes que assustam, muitas vezes sem justificação, o público. Aliás, os sustos na maioria destes filmes são tão forçados e descontextualizados que parecem ter sido escritos pela mesma malta que encaixa a publicidade nas novelas.

Não menosprezando os clássicos, que são, infelizmente, a exceção à regra, os filmes de terror estão para o cinema como a fast fashion está para a moda, são pequenos trabalhos de consumo rápido e que pouco ou nada nos deixam na memória. A narrativa tornou-se algo secundário e divertimo-nos apenas com o non-sense da situação.
É de notar que nem todos os filmes de terror são maus e que certamente há espaço para evoluir e criar novas masterpieces, mas, a julgar pelos sucessos dos últimos anos, parece que o setor está amaldiçoado e que a noção foi levada embora por algum espírito.

No final das contas, os filmes de terror são como a pornografia: enquanto vemos estamos em êxtase e totalmente mergulhados naquilo, mas mal terminam percebemos que a história foi uma merda e que ficamos com a roupa interior molhada em vão.

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